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A Ária dos Espíritos (Parte I)

  • Akasuma Lean Vicci
  • 29 de out. de 2015
  • 6 min de leitura

“Um bom marujo em meio ao alto mar

navegando até os confins...

Venham meus irmãos, juntem-se todos aqui

para acabar com aquele que nos deu o fim...

Pelas lágrimas dos agonizantes e nos gritos dos aflitos

sua vida será retirada por minhas mãos enfim...

O julgamento tarda, mas nunca falha

A balança da vida e da morte vos espera...

Para qual lado ela há de pesar?

Seu futuro dependerá do peso de vossa alma...

Pelo sangue dos inocentes derramado pelos corruptos

Seu espirito irá vagar por entre o mundo dos mortos

e dimensão dos vivos...

Sua hora irá chegar

A vingança está selada, sua alma foi arrancada

De pó tu não passas...

Sua morte veio por aquele que um dia você condenou

E só tenho a lhe dizer... O SEU TEMPO AQUI ACABOU...”

Ordnael – Odnesor, essa que acabastes de ouvir é conhecida como ária dos espíritos. Diz a lenda que um grupo de amigos velejava em um barco em pleno mar entorno de uma ilha pertencente as terras de Nazarus - um poderoso império localizado em Andrômeda - eles sempre faziam isso quando queriam sair das agonias causadas pela cidade. Quando os seis amigos aproximaram-se de um forte de rochas marítimas foram bombardeados por outra embarcação. Nenhum aviso, nem algo do tipo para explicar o motivo do ataque à embarcação sem poderio militar.


Odnesor – Meu irmão vale ressaltar que naquele tempo Nazarus e Galádria viviam em constantes conflitos. Mesmo Galádria estando localizada no extremo oposto de Nazarus, ambas guerrilhavam pelo posto de império máximus de Andrômeda. Talvez, o ataque tenha surgido com o intuito de atingir o inimigo! Eles devem ter sido confundidos.


Ordnael – Sei disso meu caro irmão. Porém, o que surpreende é o fato de que além dos amigos mortos não pertencerem a nenhum dos países em guerra. Não fora encontrado vestígio algum de vossos corpos e muito menos do barco que utilizavam. Depois do ataque sumiu até o último fio de cabelo daquelas pessoas. Por que atacar alguém que não pertencia a nenhum dos campos alvos?


Odnesor – Não vejo como algo espantoso. Galádria era conhecida pelo seu enorme poderio militar. Armas jamais vistas ou imaginadas por nenhum ser de carne. Dizem até que foram presentes dos seus deuses. O que tem de tão especial para até hoje temerem tal ária?


Ordnael – A lenda caminha para um clímax assustador. Até hoje se contam relatos de marinheiros ou até pessoas do litoral que escutam as vozes dos amigos gritando e pedindo socorro. Nas noites em que a lua finca-se no centro do céu, um barco é visualizado na linha do horizonte com as mesmas características da embarcação bombardeada. Dizem que os amigos procuram as respostas para suas mortes. Ao longo das gerações, buscam os descendentes dos responsáveis por suas mortes. A tão comentada justiça pela vingança. Uns até falam que a ária serve para dar fim as guerras entre os dois impérios, explicam com base em que as perdas não veem apenas dos lados em conflito!


Odnesor – Então é dessa lenda que se tem comentado tanto? Pensei que fosse algo mais pesado. Parecem histórias para assustar crianças. A MELODIA GÉLIDA DA MORTE ARRASTADA PELOS VENTOS MARITIMOS COMO UMA ESPADA QUE ATRAVESSA A CARNE. Quando eu era pequeno essa canção me assustava de um jeito que não cabia em palavras. Demorei esse tempo todo pra descobrir que não passa de uma fantasia. Por que vistes me contar a história dela agora?


Ordnael – Acredito que tenha ciência que nossa mãe é descendente de Nazarus e vosso pai faz parte de uma família antiga de Galádria. Como o primeiro casamento nossa mãe me gerou e assim, descendi dos Nazarus. Você, porém, fruto do segundo conjugue, descendeu de Galádria. Estamos propensos a ser descendentes dos soldados de guerra.


Odnesor – Achas que irei morrer pelas mãos de personagens infantis? Cara deixa de coisa. Larga o misticismo e volta à racionalidade. Nosso tempo de criança já foi, somos adultos e esse negócio de sentir medo de lendas antigas não faz nosso perfil. Nem acredito que sou mesmo seu irmão...


Ordnael e Odnesor são filhos de Sotnas, possuem respectivamente 20 e 18 anos de idade, residem em um pacato vilarejo de Galádria. São jovens “comuns” que sonham alto, porém, sempre de maneira racional. Às vezes fogem da linha de pensamento, mas logo retomam a consciência. A diferença entre eles além da idade é o que diz respeito aos seus nascimentos, uma certa parte de suas vidas que sua mãe nunca lhes contou, nem mesmo em seu leito de morte, hoje vivem sozinhos sobrevivendo do trabalho e de vossos estudos. Ordnael almeja ser botânico - sua habilidade com plantas é visível desde sua infância - já Odnesor, pretende alistar-se ao exercito - sempre gostou das histórias sobre batalhas e guerras seu maior sonho é participar de uma guerra e defender sua pátria - carrega como meta de vida uma frase que um dia leu em um cartaz: O VERDADEIRO HOMEM SÓ NASCE DEPOIS DE EMPALAR A VIDA DE OUTRO.


Ordnael – Pode ser que tenhas razão, me deixo levar pelo medo com muita frequência – risos - Deixemos as crianças de lados e vamos caminhar rumo ao futuro.


Odnesor – Moço, vai dormir! Você já viu a hora? Não sei por que ainda me dou ao ar de escutá-lo. Sempre dormimos tarde e acordamos atrasados para o trabalho. Seria sensato que deixasse de sonhar tão alto ao ponto de me fazer penetrar também em seus devaneios. ADEUS!


Ordnael – Ok. Fica animado pra escutar as coisas e depois vem com seus sermões... Às vezes me pergunto quem realmente é o mais velho de nós dois?! ATÉ AMANHÃ.


Como de costume novamente depois de muitas viagens no imaginário foram dormir as 03h00min da manhã. O despertador estava programado para tocar as 05h00min em ponto e sair as 05h40min. Desta vez, tudo seria diferente.


Ao abrir os olhos e olhar friamente para o relógio, Odnesor percebeu que eram exatas 08h00min da manhã....


Odnesor – DROGAAA!!! Ordnael acorda seu desgraçado. Perdemos o horário, estamos duas horas atrasados!


Odnesor percebe que não estava em seu quarto, o ambiente parecia com uma cabana antiga, podiam ouvir o barulho do mar. Mas como alguém que mora em uma cidade não litorânea escuta o mar como se estivesse do lado de sua janela?

Ao olhar para cama ao lado percebe que seu irmão não se encontrava disposto sobre ela. A porta encontrava-se escancarada. As janelas estavam com os vidros quebrados e as marcas de sangue faziam-se presentes no carpete do “quarto”...


Odnesor – Cadê o ‘aloado’ do meu irmão? Como tal cenário de guerra aconteceu aqui e eu nem ao menos pude perceber um único ruído? E que lugar é esse que me encontro? CARALHO!


O irmão mais novo levanta-se de seu aposento e caminha rumo à saída do espaço em que se encontra. A ficha caiu quando veio em si e percebeu que não estava em sua casa. Ao olhar pela janela avistou um farol distante sinalizando que ali havia uma praia. A água estava em constante movimento ao lado de fora. Entrou em estado de choque...


Odnesor – Como vim parar no mar? Eu não me lembro de ter saído de casa, minha mãe disse uma vez que meu irmão e eu somos sonâmbulos, mas não sabia que chegaria a tanto. E cadê aquele troço que ouso chamar de irmão?


Do lado de fora um som penetrou janela a dentro... IÇAR VELAS! A TODO O PANO!


Odnesor – ISSO É UM BARCO? COMO EU VIM PARAR EM UM BARCO NO MAR?


Nada fazia sentido, Ordnael ainda estava perdido. Odnesor não conseguia juntar as peças desse difícil quebra-cabeça.


Caminhando rumo ao último deck do barco Odnesor avistou seu irmão em pé ao lado da vela principal, correu para questionar o motivo de terem ido parar naquele lugar desconhecido. Ao tocar no ombro de Ordnael, seu irmão virou-se – os olhos do irmão mais velho não continham cor alguma, seu corpo e roupa estavam manchados de sangue. Um ruído agudo e veloz se aproximava da embarcação. Quando Odnesor olhou para tentar entender de onde o ruído partira a lua se pôs no centro do céu, seus olhos ficaram sem e um míssil atingiu a embarcação. A explosão fez com que tudo envolta desaparecesse. O céu ficou nublado e as águas adquiriram tom avermelhado....

CONTINUA....

 
 
 

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© 2015 por Maurício Rosendo Leandro dos Santos.

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